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João Ferreira & Marta Fiolić
Passeando pelas zonas elevadas da cidade, por vezes, conseguimos vislumbrar o rio por entre os intervalos dos edifícios que se abrem como se fossem janelas. Esta viagem sonora pretende ajudar o ouvinte a descer para as margens do Tejo e escutar o seu canto.
Sophia de Mello Breyner: "Lisboa" (1977)
Digo: «Lisboa» Quando atravesso — vinda do sul — o rio E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna Em seu longo luzir de azul e rio Em seu corpo amontoado de colinas — Vejo-a melhor porque a digo Tudo se mostra melhor porque digo Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência Porque digo Lisboa com seu nome de ser e de não-ser Com seus meandros de espanto insónia e lata E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro Seu conivente sorrir de intriga e máscara Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata Lisboa oscilando como uma grande barca Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência Digo o nome da cidade — Digo para ver
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