Apresentadora
Bem-vindos aos Passeios Sonoros Históricos de Angra do Heroísmo!
Este passeio vai levá-lo, sob a inspiração de Jan Huygen van Linschoten e da sua obra Itinerario: Descrição da Viagem do Navegante Jan Huygen van Linschoten às Índias OrientaisPortuguesas, desde o Porto das Pipas às Portas da Prata,
atravessando, de nascente para poente, a baía de Angra.
As ruas que vai atravessar estão perfeitamente representadas no mapa de Angra que Linschoten publicou na sua obra, em 1595, pelo que poderiam ser atravessadas naquela altura por qualquer viajante, e o seu passeio será acompanhado por
narrativas históricas e textos retirados ou inspirados naquela obra.
Terá uma duração aproximada de 25 minutos, mas pode variar de acordo com as suas preferências e os seus interesses.
Como a narrativa está organizada por localização geográfica (utilizando GPS), pode levar o tempo que quiser ou precisar em cada trajecto e em cada local, sem perder nada da narrativa original.
Aviso Importante: Ao tomar a decisão de realizar este passeio sonoro, tem de ter
presente que os seus autores e os seus patrocinadores não assumem qualquer responsabilidade legal por qualquer prejuízo ou dano, pessoal ou material, que possa surgir desta experiência.
Mantenha-se atento ao que o rodeia, espere o inesperado, respeite as regras de trânsito pedonal e redobre a sua atenção.
Apresentadora/Funcionário da Alfândega
A cidade de Angra nasceu na segunda metade do século XV,com o movimento expansionista da Europa para Ocidente que veio aoriginar a moderna globalização. Aqui se cruzaram as ideias de uma Europa Medieval com as necessidades da
modernidade, fazendo...
Linschoten
Angra é a aurora do Ocidente, homem de Deus, e disso posso eu falar de certo saber e de experiência feita!
Aqui, nesta cidade, refinaram-se práticas antigas e novas se
Apresentadora/Funcionário da Alfândega
A cidade de Angra nasceu na segunda metade do século XV,com o movimento expansionista da Europa para Ocidente que veio aoriginar a moderna globalização. Aqui se cruzaram as ideias de uma Europa Medieval com as necessidades da modernidade, fazendo...
Linschoten
Angra é a aurora do Ocidente, homem de Deus, e disso posso eu falar de certo saber e de experiência feita!
Aqui, nesta cidade, refinaram-se práticas antigas e novas se, para que fossem levadas para Oriente e Ocidente, à medida que o largo Oceano passava de Mar Tenebroso a estrada de encontro entre as gentes de todos os cantos desta Terra.
Sou Jan Huygen van Linschoten, viajante e comerciante holandês.
Estamos em 1589, e contam-se agora 6 anos desde que me embarquei rumo a Goa. Depois de lá ter estado ao serviço de Sua Ex.ª o Arcebispo, decidi regressar à Europa pelas tristes notícias do passamento de meu pai e irmão, em Enkhuizen, na
Holanda.
Na minha viagem de regresso, depois de acostar a Santa Helena, em Maio de 1589, a nossa armada fará escala nas Ilhas Terceiras dos Açores.
Desta e de outras muitas viagens que passei darei eu conta num Itinerário que preparo, e que me toma o parco tempo que sobra entre cada uma delas, e que publicarei quando o queira a fortuna destes tempos que, por ora, me abandonou, ao porfiar em meterme aqui, nestas ilhas Terceiras, onde tem sobrado tempo para os trabalhos a que me propus, e dos quais quero deixar-vos amostra.
Ora oiçam:
Na graça de Deus, avistámos as ilhas Floreiras a 22 de Julho deste ano da graça de 1589.
Apresentador
Floreiras era, naquele tempo, a designação...
Linschoten
Não me interrompa, homem! Então não se saberá que Floreiras são as ilhas das Flores e do Corvo???
“A êste tempo muitos dos nossos, oprimidos pelas longas misérias que tinham suportado e derreados pela fome, por se terem estragado e corrompido quási todos os mantimentos, eram afligidos por várias doenças que lhes infestavam de podridão os olhos, o peito, a boca e as gengivas, pois até, por falta de água doce; eram obrigados a coser o arroz em água do mar, a ponto que foram encontrar catorze mortos, estirados no convés onde jaziam havia três ou quatro dias”
Como se fosse isto coisa de somenos,
“No mesmo dia à tarde, quando nos aproximávamos das ilhas do Corvo e Flores, avistámos três velas que não nos deram pouco que fazer, pois atacaram a nossa almirante e lançaram-se sobre ela e sobre uma outra nau a tiros de canhão durante um bom espaço de tempo. Eram bergantins ingleses de 30 toneladas, segundo nos pareceu, e os quais nos seguiram pela noite adiante, enquanto pelo luar costeávamos a Ilha do Faial. No outro dia,quando navegávamos por entre a Ilha de S. Jorge que nos ficava à direita e a Graciosa à nossa esquerda, os mesmos bergantins continuavam a perseguir-nos”; (...) “lançaram-se sôbre a nossa nau que estava perto da costa da Ilha de S. Jorge, pretendendo forçar-nos contra ela e fazer-nos encalhar, para o que deram três voltas ao redor de nós, atirando com os mosquetes e artilharia, fazendo-nos mais dano às velas e enxárcia do que propriamente ao navio, contudo nenhum dos nossos se atrevia a mostrar-se, havendo somente barulho e confusão entre todos”